quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Medicina Integrativa: arte do cuidado

 
 
Na mitologia grega, o centauro Quíron possuía a imortalidade e um corpo metade cavalo e metade homem. Vivia entre os homens e era um exímio médico, além de ensinar música e as artes da guerra e da caça. Após ser atingido por uma flecha envenenada de Hércules, passou a sentir fortes dores e compreendeu que a melhor maneira de curar sua ferida era conhecer bem o ponto de sensibilidade. Ele sabia que essa ferida jamais cicatrizaria, mas buscava a melhor forma de viver com a dor, apontando para a gênese da doença e vivendo assim por longo período quando orientou vários curadores.

Asclépio foi enviado ao monte Pélion para ser educado por Quíron, deus que trabalhava e agia com as mãos porque era cirurgião e grande médico, e com sabedoria para compreender seus pacientes mediante o diálogo, considerado um dos remédios da cura. Asclépio, como discípulo de Quíron, desenvolveu uma verdadeira escola de Medicina na cidade de Epidauro e, com seu método, preparava o caminho para seus alunos, entre eles, Hipócrates (460 a.C.), que aprendeu a substituir a ação generosa ou cruel dos deuses, pela observação direta dos seus pacientes, descrito posteriormente no Corpus Hippocraticum no qual era restabelecida a existência da força curativa inerente aos organismos vivos denominada de "poder curativo da natureza".

Diante de tais forças naturais descritas por Hipócrates, o papel do médico, transitando entre o ato de curar e a arte de cuidar, passa então por novas interpretações: a criação de condições para o processo de cura e a assistência para otimizar o potencial de desenvolvimento de sujeitos autônomos e pensantes.
 
Conforme Paulo Freire propõe quando afirma que "O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. (…) Saber que devo respeito exige de mim uma prática em tudo, coerente com este saber".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua "Saúde" não apenas como a ausência de doença, mas como um perfeito estado de bem-estar físico, mental, social e espiritual. Cura, do latim "sanare" ou "curare", possui também como significado a cura dos males da alma.
 
Medicina integrativa, segundo o Dr. Paulo de Tarso Lima, membro do Programa de Medicina Integrativa da Universidade do Arizona (EUA) e médico responsável pelo Programa de Medicina Integrativa do Hospital Israelita Albert Einstein, é uma abordagem orientada para um sentido mais amplo de cura, que visa tratar a pessoa em seu todo: corpo, mente e espírito. Enfatiza as relações entre o paciente e o médico, e combina tratamentos convencionais e terapias complementares cuja segurança e eficácia tenham sido cientificamente provadas.

"Ousaríamos caminhar por experiências do nosso novo mundo que se autocura ou se autodestrói, integrando as práticas meditativas às lógicas de formação humana, segundo as quais ouvir é primordial para cuidar. Essa ousadia é acrescida ao respeito mútuo quando possibilita uma revisão constante nos projetos de aprender e/ou ensinar, aceitando que o conhecimento é fluido e adaptável às realidades humanas tão diversificadas. (...) Assim, os espaços serão terapêuticos na medida em que as intervenções dos profissionais forem interdisciplinares e capazes de mesclar teorias em prol do poder autocurativo das pessoas."