sábado, 18 de outubro de 2014

Sobre como sair da rotina pode trazer benefícios à memória

Algumas pessoas, principalmente os mais velhos na família, vez ou outra perguntam porque andam tão esquecidas. Vale essa leitura, em que pontuei algumas explicações sobre o tema, com base em alguns estudos.



    Os sentidos são as portas de entrada das informações que nos cercam. Viajar, ler, aprender a tocar um instrumento musical, estudar uma língua estrangeira, comer um prato diferente, buscar novas rotas para o trabalho, matricular-se em aulas de dança são alguns exemplos de atividades que ao despertar os nossos sentidos podem aumentar a atividade mental e a função cognitiva. E quanto mais diverso for o repertório (literário, musical, cinematográfico etc.), melhor para a memória. O mais importante é diversificar as atividades para mobilizar diferentes áreas do cérebro. E o prazer em realizá-las certamente irá também influenciar.

    Ler, por exemplo, pode não somente despertar a visão, como também estimular outros sentidos. Um autor que escreve que certa personagem sentiu o aroma de um bolo saboroso faz com que seu leitor resgate aromas de bolos saborosos em sua memória. Além disso, a leitura nos dá agilidade mental, aumenta nosso vocabulário e facilita a capacidade de associar idéias.

    Memorizar também requer uma mente sem estresse. Um novo aprendizado demanda o envolvimento de diversas vias neuronais. E, às vezes, trabalhamos nossa mente à exaustão, elevando o seu metabolismo, para "criar um arquivo", fazendo que uma atividade que poderia ser prazerosa se torne chata. Na hora de estudar para um concurso por exemplo, isso pode ser determinante.

    Alimentação e exercícios físicos também são importantes, a exemplo dos flavonoides (presentes nas frutas vermelhas), ômega-3 (peixes, castanhas), vitaminas do complexo B (carnes vermelhas, aves, grãos integrais, leite). Os exercícios físicos aumentam a oxigenação cerebral e promovem a liberação de substâncias favoráveis ao aprendizado, além de trabalharem a coordenação motora, propondo desafios para o cérebro. E depois de um dia intenso de trabalho ou ginástica, descansar é obrigatório. Dormir é necessário para fortalecer o aprendizado, sobretudo na fase do sono chamada REM (do inglês, Movimentos Rápidos dos Olhos), que consolida a memória de longo prazo.
 
    Com o envelhecimento, nossa memória ou a capacidade de criá-la sofre mudanças. A redução do número de sinapses (conexões entre os neurônios), o decréscimo na produção de neurotransmissores e os declínios do metabolismo são alterações se refletem na resolução de novos problemas e na velocidade com que processamos informações. A capacidade de aprendizado se mantém ao longo da vida, porém é necessário um tempo maior de exposição ao conteúdo para sua aquisição. Manter uma constante atividade intelectual pode minimizar a perda de neurônios. Pessoas que tiveram uma atividade intensa do cérebro durante a vida protegem o órgão dessas perdas e têm menor suscetibilidade a doenças como a de Alzheimer. Estudos mostram que há um constante nascimento de neurônios e que, além de atividades intelectuais, eles podem ser estimulados por meio de atividades físicas. Quanto mais se fizer pelo cérebro, menos sofrimento quando a idade avançada chegar.

    *É importante não confundir desatenção,ou a não concentração, com falta de memória. Há testes capazes de fazer essa distinção, que são realizados por um especialista. Ele indicará a melhor forma de contornar o problema. 
 
    *Lapso de memória não é problema de memória. O esquecimento tem papel fundamental no processo de aprendizado, pois serve para não atrapalhar a aquisição de novas informações.
Ausência de memória pode ser falta de estratégias eficazes, como alarmes, agendas e blocos de anotações.